TODA EMPRESA TEM PROPÓSITO?

13 de março de 2019 - 922 visualizações

Em breve, as empresas serão movidas apenas por propósitos e quem não souber porque está em um determinado segmento terá cada vez menos chances de permanecer.

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Hoje, a resposta é não. Por isso é tão urgente refletir sobre o propósito da sua organização e defini-lo claramente, divulgando-o em alto e bom som para clientes, colaboradores, parceiros de negócio, investidores, públicos institucionais e a quem mais possa interessar. Em breve, as empresas serão movidas apenas por propósitos e quem não souber porque está em um determinado segmento, porque fabrica determinado produto ou presta determinado serviço terá cada vez menos chances de crescer e, principalmente, de permanecer.

A boa notícia é que sobreviver na “economia do propósito” tem menos a ver com resultados financeiros – que são indispensáveis, é claro - e mais a ver com resultados sociais, o tão falado impacto dos negócios na vida das pessoas e no destino da humanidade. Pode ser que sua organização ainda não tenha parado para redigir seu propósito, mas já tenha esta razão de ser desde a sua origem, precisando apenas traduzi-lo em palavras – para que possa ser comunicado de forma consistente ao longo do tempo e a todos os públicos com os quais se relaciona – definindo o sentido que a faz gerar significado para a sociedade. Pode ser que sua empresa tenha nascido de um propósito e o tenha perdido na sucessão de diferentes líderes, na orientação para resultados a qualquer custo, nas armadilhas do mercado. Pode ser que apenas o senso de oportunidade tenha proporcionado o crescimento da sua organização, porém é preciso saber que mais do que isso será exigido no futuro próximo. Pode ser que demore um pouco, mas não haverá lugar para o luxo, o excesso, a ostentação, o supérfluo, o vazio de propósito.

Muitas empresas se perguntam se não basta ter missão, visão e valores. Pois é. A nova economia criativa, colaborativa, orientada para resultados compartilhados, exige mais um grande passo na reflexão estratégica das organizações que querem fazer história. A relação do consumidor com suas marcas, hoje baseada em confiança, no futuro será baseada em uma conexão ainda mais visceral: a conexão de propósito.

Eu confio que sua marca me entrega um produto de qualidade, a um preço justo, com boas relações de trabalho e boas práticas ambientais. Confio também que exerce sua missão com ética e valores que posso respeitar. Esse é o estágio atual, que já foi um grande avanço nas relações de significado entre consumidores e marcas.

Porém, eu invisto em sua marca ou produto porque acredito no seu propósito e quero me sentir responsável pelo impacto que você gera na sociedade é muito diferente, não acha? Comprar será uma forma de investir em ideias e ideais. E já estamos vivendo esse momento em parte: veja, por exemplo, o sucesso das plataformas de financiamento coletivo.

O consumidor está cada vez mais consciente que o seu poder de compra pode influenciar muito mais do que simplesmente o desenvolvimento de produtos e serviços, mas principalmente as relações sociais. O ato de comprar estará cada vez mais comprometido com posições ideológicas e filosóficas.

Neste cenário, comunicar o propósito da sua marca será condição para atrair o público-alvo desejado.

Karla Mourão - CEO Escritório21